Sexta-feira, 29 de Março de 2013

Crítica a Comedown Machine (The Strokes)

 

Na altura do lançamento de 'One Way Trigger', o primeiro single de Comedown Machine, novo álbum dos Strokes, perguntei-me se não estaria enganado no que estava a ouvir. Casablancas em falsetto? Electrónica?

O caminho já traçado por Angles em 2011 apontava para algo mais electrónico, mas bem balanceado com os habituais riffs de guitarra. Desta vez, o disco dos Strokes soa mais semelhante a 'Phrazes For The Young', o álbum a solo do vocalista Julian Casablancas.

À primeira audição, a única música que me despertou o interesse foi Partners In Crime, a oitava de onze faixas. Mas não podemos dizer que o disco é mau.

 

Podemos contudo fazer a previsão de que este não será o disco de Strokes favorito de ninguém. Angles também não o foi.

Numa audição mais ponderada, os riffs estão lá. Em 'All The Time', segundo single do álbum, o som é indiscutivelmente Strokes e a canção deveria ter sido a escolha óbvia para primeiro single. 'Welcome o Japan' podia bem ter sido o segundo single e a escolha de 'One Way Trigger' foi provavelmente para mostrar ao público o fascínio de Casablancas com o falsetto

 

E qual o problema dessas vozes agudas, perguntam? à partida, nenhum. Eu gosto de Temper Trap e de uma série de bandas que cantam fininho. Mas Strokes não têm essa postura, caramba. A voz de Casablancas tem de ser como em 50/50 (a sexta faixa), rock e com distorção.

 

'Partners In Crime' é faixa mais surpreendente do disco, no bom sentido. Tem andamento e não sendo tão catchy como uma série de outras canções da banda, é a que mais salta ao ouvido em 'Comedown Machine'. Arranca com um riff simples e com distorção, para parar quando Casablancas começa a cantar. Mais à frente no refrão espanta a presença de um teclado. A canção muda e volta a mudar sobre si mesma, criando o tal efeito surpreendente.

 

Inesperado também é o final do álbum. 'Happy Ending' tem nome de última canção, com os tais falsettos, mas depois ainda aparece 'Call It Fate, Call It Karma', experiência delico-doce onde Casablancas mal se ouve. Na verdade é voz, teclado e baixo, numa coisa que oscila entre a balada dos anos 40 e canção para adormecer. Na verdade, esta foi ainda mais surpreendente que 'Partners In Crime', mas aqui assumo que os Strokes estavam numa brincadeira qualquer de estúdio. Verdade seja dita, é uma balada dos anos 40 bem engraçada, (que revela mais uma vez um Casablancas fininho que andou a ouvir muito Vera Lynn), a terminar um disco com vários bons momentos estragados por falta de coesão.

 

No total de onze, seis da canções não têm nada a ver com Strokes. Talvez seja a nova direcção que a banda leva, mas cria uma enorme quebra de estilo. Como referi antes, isto não faz necessariamente um mau disco, mas um disco desiquilibrado.

 

6,5/10

 

Tiago Crispim


publicado por Registos Sonoros às 14:44
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