Terça-feira, 12 de Março de 2013

Crítica - O disco "novo" de Jimi Hendrix

 

2013 tem algo de raro no mundo musical. É um ano em que assistimos a lançamentos de artistas já clássicos, como Prince, David Bowie ou Depeche Mode. Dito isto, a frase "já ouviste o novo do Jimi Hendrix?" é algo não ouvido há muitos anos. (Embora para os mais atentos, 'Valleys Of Neptune', de 2010, era já um disco com gravações do que nunca se tornaria o quarto álbum do guitarrista.)

Ainda assim, o trabalho desenvolvido pela Experience Hendrix LCC, que detém o catálogo do artista, tem vindo a "descobrir" gravações nunca antes editadas, culminando agora neste 'People, Hell And Angels'.

Mas quanto do disco é realmente novo? Das doze músicas originais, como anunciado, apenas uma é completamente inédita. Ora vejamos.

 

O lançamento de 1997, 'First Rays Of The Rising Sun', tem versões de duas músicas, tal como 'Valleys Of Neptune'. A caixa 'The Jimi Hendrix Experience', de 2000, tem uma versão, assim como outros tantos discos póstumos. É uma questão de semântica afinal de contas. Não sendo um disco com músicas nunca antes ouvidas, é um disco com versões nunca antes ouvidas, que para a editora e os actuais detentores do catálogo de Hendrix, são uma e a mesma coisa. Parece que a única coisa nunca antes ouvida é 'Let Me Love You', com o saxofonista Lonnie Youngblood.

 

De qualquer das maneiras o disco é sólido, o mais que um álbum de gravações recolhidas pode ser. Será que esta seria a forma final do quarto disco de The Jimi Hendrix Experience? Nunca o saberemos. Em 'People Hell And Angels' as canções parecem obedecer a um ritmo lógico, embora seja provável que o contexto histórico nos tolde o raciocínio. Porque, convenhamos, um disco de Jimi Hendrix nunca poderá ser um mau disco, tendo em conta que falamos de um músico que garantiu com apenas três discos o seu lugar entre os maiores do género.

 

Se não têm nenhum álbum póstumo de Hendrix aproveitem para comprar este. A qualidade das gravações é excelente e não soa de todo a experiências de estúdio, mas sim a um disco com ideias bem marcadas em termos de direcção musical. Só porque cheira um bocado a treta, quando se fala em "12 músicas nunca antes editadas", o disco leva uma nota final de 8 em 10.

 

Tiago Crispim

 


publicado por Registos Sonoros às 15:36
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