Domingo, 9 de Dezembro de 2012

Vodafone Mexefest, 8 de Dezembro de 2012

Se no primeiro dia estava frio, no segundo pareceu ainda pior. O conceito de "festival de inverno" louva-se, já que nos mantém entretidos até ao verão, mas o aumento no número de salas implica andar mais tempo ao frio. Podemos sempre apanhar um Vodafone Bus com os Nice Weather For Ducks, de Leiria, como eles próprios repetiam, ou com as Anarchicks, que continuaram a abanar autocarros. Temos é de os apanhar a tempo, tal como as carrinhas que transportavam pessoas no trânsito infernal da avenida após mudanças.

 

Como no primeiro dia acabei por ver apenas três concertos, desta vez optei por ver menos tempo e mais espectáculos. Comecei no terraço do Altis Avenida, com Vitorino Voador. O projecto de João Gil, músico versátil e versado em várias bandas, ficava bem com a paisagem sobre a avenida. A música calma de Vitorino Voador pede ao público que se relaxe, num concerto intimista e de descoberta. Nem João Gil esquecer-se da letra numa das novas canções impediu o músico de entreter e interessar no início da noite.

 

 

Depois da entrada, passei pela fantástica sala da Sociedade de Geografia de Lisboa. O estilo de programação continua parecido desde o ano passado, com Josh T. Pearson. Tal como Josh T. Pearson, não aguentei mais de duas músicas. Peixe parece genuinamente boa pessoa e trazia convidados de peso, como Pedro Gonçalves e Norberto Lobo, mas o estilo do antigo (ou será actual?) guitarrista dos Ornatos Violeta não me entusiasma. A guitarra com eco, com notas simples e brilhantes, é simplesmente muito parada para mim.

 

 

Subi depois a avenida até ao Cinema S. Jorge, onde estavam os The Soaked Lamb, grupo português que já vai no terceiro álbum editado. Desconhecia por completo esta banda nacional, mas o Mexefest é mesmo para isto.

O som a atirar para o jazz, gospel e outros que tais convenceu-me o suficiente para ficar até ao final deste concerto. Impecáveis e simpáticos para um público que os descobria, provavelmente por se ter fartado de esperar na fila de Michael Kiwanuka, os Soaked Lamb mostraram-se uma boa surpresa. E o ar de anos 40 da vocalista era fantástico.

 

 

Neste ano de Vodafone Mexefest pareceu haver menos gente na rua mas salas mais cheias. Por isso acabei por perder Shields e Efterklang, mas voltei a apanhar o autocarro das Anarchicks, que mantiveram todo o entusiasmo (e barulho) de ontem. Espreitei ainda o autocarro dos Nice Weather For Ducks, claramente menos entusiasmados e mais barbudos que as meninas. Quanto à última parte, ainda bem. Depois dos autocarros foi tempo de recuperar energias, no McDonalds do Rossio, que não tendo concertos, estava igualmente cheio. Os negócios nestes dias de festival devem fazer, pelo menos, o lucro do mês. Como não tenho fotos do Mac, fica aqui uma de reacção à passagem das Anarchicks pelo Rossio.

 

 

Tendo perdido duas das bandas que gostava mais de ver, decidi-me por chegar a horas aos Ms Mr. Mais uma banda de Brooklin, com um som giro a relembrar os anos noventa, com uns toques de Florence + The Machine. A vocalista fez em Portugal o seu primeiro encore, e acho que isso mostra bem a receptividade do público, que encheu o telheiro da estação do Rossio. O som é giro e a banda competente, resta saber se depois do EP "Candy Bar Creep Show" os Ms Mr conseguem inovar.

 

 

Claramente com menos nomes conhecidos que no ano passado, o Vodafone Mexefest foi simpático. Como eu também o sou, dou-lhe um seis em dez. Vá.

 

Gostei da aposta em tantas bandas portuguesas e gostei pouco de ver as salas tão cheias. Nada com que a organização, certamente, se preocupe, mas num festival em que devemos poder entrar e sair de salas de espectáculo, começamos a ter cada vez mais concertos em que não o podemos fazer. O problema talvez esteja nas pessoas, que preferem abdicar de coisas que não conhecem em prol de outras. São opções, ao fim ao cabo.

Para o ano, se o trânsito insuportável se mantiver, podiam instalar um teleférico ou coisa que o valha. É que as carrinhas, apesar de 20 e normalmente vazias, ainda conseguem demorar uns bons dez minutos dos Restauradores ao S. Jorge.

 

Tiago Crispim

tags:

publicado por Registos Sonoros às 02:44
link do post | comentar | favorito
Blog de novidades sobre música indie/alternativa.

Mail

contacto

links

Registos arquivados

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Subscrever